quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O melhor de mim



Você acredita em amor para toda a vida? Acha possível que um amor recíproco pode ser interrompido e depois de muitos anos vir à tona? Caso sua resposta seja sim, indico a leitura do livro de Nicholas Sparks "O melhor de mim". Caso você tenha respondido não, continuo indicando, talvez ele faça você mudar de ideia.
A trama é a seguinte, Amanda é moça de uma família respeitável e Dawson não teve a mesma sorte, sua família é do balacobaco. Então você já sabe, quando os dois começam a namorar é um Deus nos acuda, os pais da moça quase têm um ataque. 
Os nossos "Romeu e Julieta", digo, Amanda e Dawson encontram em Tuck, um velho mecânico, um apoio para seus encontros às escondidas, pois este vê em Dawson bons princípios. Mas os pais da moça dão um ultimato à pobrezinha, ou deixa o rapaz ou não vai para a faculdade.
Nosso herói, enxergando longe, ou seja, a não realização pessoal de sua amada, contra a vontade dela, abre mão do relacionamento. Amanda não tem outra alternativa, vai estudar fora.
O velho amigo do casal morre e agora, vinte anos depois, os dois voltam à cidadezinha de sua juventude para a cerimônia fúnebre. Então a história continua... com um final surpreendente. Quer saber mais? Não posso contar, acho que até contei demais, pois a intenção desse texto é só aguçar sua curiosidade... Boa leitura!


Adalto Paceli

sábado, 20 de fevereiro de 2016

                                                  O HOMEM E A GALINHA

Era uma vez um homem que tinha uma galinha. Era uma galinha como as outras.
Um dia a galinha botou um ovo de ouro. O homem ficou contente. Chamou a mulher:
– Olha o ovo que a galinha botou.
A mulher ficou contente:
– Vamos ficar ricos!
E a mulher começou a tratar bem da galinha.
Todos os dias a mulher dava mingau para a galinha. Dava pão-de-ló, dava até sorvete. E a galinha todos os dias botava um ovo de ouro.
Vai que o marido disse:
– Pra que este luxo todo com a galinha? Nunca vi galinha comer pão-de-ló… Muito menos sorvete!
Vai que a mulher falou:
– É, mas esta é diferente. Ela bota ovos de ouro!
O marido não quis conversa:
– Acaba com isso, mulher. Galinha come é farelo.
Aí a mulher disse:
– E se ela não botar mais ovos de ouro?
– Bota sim! – o marido respondeu.
A mulher todos os dias dava farelo à galinha. E a galinha botava um ovo de ouro.
Vai que o marido disse:
– Farelo está muito caro, mulher, um dinheirão! A galinha pode muito bem comer milho.
– E se ela não botar mais ovos de ouro?
– Bota sim. – respondeu o marido.
Aí a mulher começou a dar milho pra galinha. E todos os dias a galinha botava um ovo de ouro.
Vai que o marido disse:
– Pra que este luxo de dar milho pra galinha? Ela que cate o de-comer no quintal!
– E se ela não botar mais ovos de ouro?
– Bota sim – o marido falou.
Aí a mulher soltou a galinha no quintal. Ela catava sozinha a comida dela. Todos os dias a galinha botava um ovo de ouro.
Um dia a galinha encontrou o portão aberto.
Foi embora e não voltou mais.
Dizem, eu não sei, que ela agora está numa boa casa onde tratam dela a pão-de-ló.
Ruth Rocha
Igreja e borracharia

Resolveu ler porque achou o título estranho! Acertei? Circulando à noitinha pelo "quase" centro de Ribeirão, precisamente entre as ruas Lafaiete e Amador Bueno, vi há pouco tempo uma pequena igreja se organizando para o início de suas atividades da noite. 
Achei estranho, porque pelo que tinha notado, ali funcionava durante o dia uma borracharia. 
Hoje, como mamãe dizia, tirei a prova dos nove. Lá estava em pleno vapor, ou pleno ar, para ser mais preciso, a tal borracharia.
Aí você já vi. né? Pintou a curiosidade, passei bem devagar para reparar melhor... Engraçado! "Cadê as cadeiras?", pensei com meus botões. E já imaginei que algum vizinho talvez as guardasse para logo mais à noite... Quanto olhei para o teto, ao lado tinha uma pequena plataforma e o que havia nela? Acertou! As cadeiras empilhadas.
Fala a verdade, é ou não é muita criatividade?


Adalto Paceli

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

2ª chance



Lindsay, tenente e protagonista tem a missão de investigar um tiroteio em frente a uma igreja, tudo levava a crer que era mais um daqueles malucos que saem atirando a esmo tentando matar o maior número possível de pessoas. Mas ao aprofundar percebe que havia um alvo previamente determinado e que o tal amalucado era um exímio atirador. Esse é o começo da trama, a detetive tem três amigas que "in off" a auxiliam a desvendar esse e uma série de outros crimes. A legista Claire, a promotora Jill e a repórter Cindy.
Bem escrito, com alguns momentos de enfraquecimento do enredo e exagero nas ações, mas que não tiram o brilho da obra como um todo, a história nos prende, com capítulos curtos que nos permitem aproveitar aqueles breves espaços em nossa rotina para dar sequência na leitura.
Na trama há espaço para sensibilidade, demonstração de amizade e carinho, traumas familiares, mas tudo bem dosado e como pano de fundo, pois o que sobressai é o estilo a la Sherlock Holmes, há um fio condutor na série de assassinatos a serem desvendados muito bem construído pelo autor.
Um detalhe chamou minha atenção: O narrador. Lindsay só é narradora quando está em cena e nos momentos em que "aparece" o assassino temos um outro narrador, pois esse tem de permanecer incógnito, obviamente. Por que chamou minha atenção? Ainda não tinha lido um romance com essa característica. Li com meus alunos em sala de aula O cão dos Baskervilles, de Arthur Conan Doyle, e nesse livro, Watson ( é elementar meu caro Watson... ) é o narrador e, em nenhum momento temos o assassino em cena só para os leitores. Considerei essa sacada muito esperta, claro que isso é novidade para mim, talvez você, leitor, já tenha lido algo assim.
Enfim, pela trama, narrativa e pelo final surpreendente vale a pena ler 2ª chance.


Adalto Paceli

domingo, 31 de janeiro de 2016

Eu sei o que você está pensando


Eu Sei o Que Você Está Pensando

Gurnei trabalhou 25 dos seus 47 anos como detetive e fez carreira brilhante desvendando terríveis casos de assassinatos, inclusive de crimes em séries. Madeleine, sua esposa, esperava que agora aposentado ele prestasse mais atenção nela e numa tentativa de dar novos ares ao relacionamento o convence a se mudarem para uma pequena fazenda. Mas nosso protagonista tem sua mente voltada para sua antiga profissão e isso se acentua quando recebe um telefonema e uma visita de um antigo colega de faculdade, Mark, o qual não via desde que se formara...
De tudo que esse ex-colega lhe conta, o que mais intriga é uma carta que recebeu dentre outras com poemas ameaçadores, na qual pedia que ele pensasse em um número e, em seguida abrisse um envelope menor. Para espanto de todos e, inclusive nosso, o número ali escrito era o mesmo que Mark tinha pensado. Assim, pouco a pouco nosso protagonista Gurnei, misturando seus traumas pessoais e seu casamento em crise vai entrando nesse novo e instigante mistério.
Com 339 páginas e muito bem escrito por John Verdon, que além de personagens bem construídos cria um narrador inteligente, bem humorado, com descrições, cometários e exemplos bem dosados e  interessantes. Destaco uma cena da página 171, em que Gurnei dialoga com seu colega detetive Hardwick. Esse último apresenta argumentos na tentativa de elucidar um crime, mas nosso herói, já estou incluindo você na história, contra-argumenta com mais propriedade. Nesse momento o narrador diz " Hardwick demonstra uma frustração semelhante a alguém tentando segurar as compras dentro de uma sacola rasgada", há outras cenas com espirituosas intervenções do narrador.
Então, se você estiver a fim de ler um livro ao estilo Sherlock Holmes, com uma trama, personagens e narrador bem construídos que lhe prende a atenção porque você quer saber onde a história vai dar, sugiro "Eu sei o que você está pensando".


                                                                                                                          Adalto Paceli de Oliveira

domingo, 24 de janeiro de 2016

Travis é surpreendido por Gabby, sua nova vizinha, que esbravejando vem ao seu encontro, acusando seu cão de ter invadido sua cerca e cruzado com a com sua cachorrinha. Mantendo seu equilíbrio ele consegue perceber que por trás daquela raiva, Gabby esconde outras frustrações e a partir dali, como uma faísca iniciando um incêndio, inicia-se uma paixão irresistível, no entanto, Gabby tem um namorado ...

Com um desfecho surpreendente, A escolha é um livro leve, com alguns momento de descrições exageradas e de lenta narrativa. Indicado para aqueles que querem ler algo fluido e descontraído. Trezentas páginas.



quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Vicente Golfeto

Há pouco no Jornal da Clube:

Políticos brasileiros, nos três níveis ( municipal, estadual e federal ), independentemente de partido:
Na situação (governo): são pragmáticos ( práticos )
Na oposição: São programáticos ( idealistas )
Obs: o idealista é por nossa conta.
É estimulante termos em Ribeirão Preto um homem tão inteligente quanto esse economista e professor, Sr. Vicente Golfeto.

Adalto Paceli

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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Ponto de impacto

Sinopse é um pequeno texto que tem como finalidade nos instigar a ler um livro, assistir a um filme, dentre outros, nos fornecendo informações elementares, mas que despertem nosso interesse. Não pode apresentar elementos que informem demais sobre a história ou tema tratado, por isso deve ser bem dosado. Ao pensar nessa definição lembro-me de uma propaganda televisiva cujo cenário é uma bilheteria de cinema com uma longa fila, nesse momento um garoto passa correndo gritando "a mocinha morre no final", diante disso metade das pessoas que estavam na fila desiste; mas o garoto volta em direção do início da fila gritando "quem matou foi o marido", aí todos desistem do filme.
Isso posto, apresento-lhes o livro Ponto de impacto, 440 páginas, em que Raquel, protagonista da trama, alta funcionária do governo americano, tem a missão de confirmar tecnicamente a descoberta feita pela NASA de vida extraterrestre. Essa confirmação alavancaria a reeleição do presidente e poderia provocar a derrocada do candidato oposicionista, que fragilizando a trama, é seu pai.
Pois bem, há leitores que fogem da ficção e alegam para tal que são pragmáticos e não querem perder tempo com invencionices. E você? Acredita que possa haver aquisição de conhecimento na ficção? Eu acredito. A verossimilhança exige um mínimo de verdade e proximidade com a realidade. Esse livro, obra de ficção, é repleto de informações, pontos de vista, questões morais, dentre outros. Ao lê-lo imaginei meus colegas de ciências e biologia, políticos, jovens que curtem ficção científica e aventura lendo. Imaginei você lendo.
Há um porém, considero que a leitura de um livro se parece com fazer amigos e conservar a amizade, explico, muitas vezes nossos amigos, por mais que gostemos deles, não nos agradam, exigem de nós muita paciência e humildade para preservamos essa amizade. Um livro, muitas vezes, no início é muito interessante, mas pode em determinado momento ficar chato, mas se perseverarmos, ele pode melhorar e nos surpreender. A isso denominamos ir fundo na leitura. Pode acontecer, assim como nos relacionamento, do livro ser uma porcaria mesmo, mas até para sabermos disso precisamos lê-lo.
Enfim, se você gosta como eu de variar suas leituras e quer uma história dinâmica e até mesmo eletrizante, aí vai mais essa dica.

Adalto Paceli

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

O monge e o executivo



A julgar pelo título podemos nos levar a concluir que seja destinado a grandes empresários, gerentes ou àqueles com grande poder de decisão e comando, mas não. Esse livro é para todos, independentemente da profissão ou do cargo que ocupem, pois nos fala basicamente de relacionamentos. Uma parte interessante é quando o autor diferencia poder de autoridade, esclarecendo que o poder pode ser dado, imposto, hereditário; porém a autoridade é construída pela pessoa, é inerente ao ser humano. O roteiro é enriquecido com dinâmicas de diálogos e fechamentos feitos pelo monge, esse a que se refere o título, que foi um grande líder empresarial que, quando mais velho passa a morar num mosteiro e dá seminários sobre liderança. Já o executivo é o narrador, que em crise, resolve fazer esse seminário ou retiro de uma semana. Enquanto lia pude refletir sobre minha profissão, nas minhas deficiências e como corrigi-las. Outra parte que me interessou foi a intervenção de uma dos integrantes do retiro citando a importância de estarmos sempre estabelecendo contatos positivos com as pessoas em geral. Capítulos divididos conforme os dias do retiro, a leitura é interessante, não é doutrinador, é antes, reflexivo. Aí vai a dica!


Adalto Paceli

sábado, 2 de janeiro de 2016

Cabeça a prêmio

     Quer ler um livro que te prenda? Daqueles que você começa a ler e não quer parar mais? Então eu sugiro o livro de Marçal Aquino "Cabeça a prêmio", editora Cosac e Naif. Quando mais jovem, li um livro de Aghata Christie. Gente! Eu não conseguia largar o livro, era muito instigante. Você já viveu uma experiência assim? Olha, Cabeça a prêmio não é para puritanos, às vezes, o vocabulário é um pouco chulo, mas faz parte do universo da história, que é sobre um matador de aluguel. Não desista por considerar o tema por demais violento ou desagradável, pois são criadas situações que revelam nossas fragilidades, a ganância e, em muitas partes, os diálogos, embora à primeira vista, grosseiros, trazem em si a solidão, a carência, a importância do amor e do companheirismo. Agora o mais interessante, é de leitura rápida, são só 189 páginas, incluindo as ilustrações. 
     Já sei, quer uma palinha, não é? Brito, matador de aluguel, é o protagonista e Marlene, seu amor. Em meio a esse relacionamento há uma série de flashbacks, um jogo de cenas quase cinematográficas com inserção repentina de personagens, exigindo acuidade do leitor para não se perder nessa dinâmica. A história em si é simples, o que nos segura é essa dinâmica de cenas e personagens e a beleza singela da história. Boa leitura!

Adalto Paceli

professorpaceli.blogspot.com


quarta-feira, 30 de dezembro de 2015



Um dia

Fiz uma pausa em minhas leituras mais densas para ler um romance romântico-dramático, com abordagem instigante e estratégia original. Explico, os capítulos tornam-se dinâmicos porque, via de regra, dão sequência à história um ano após o capítulo anterior e  num determinado dia do mês. O dia em que Dexter e Emma se conheceram, num final da festa de formatura de ambos. Suas vidas às vezes se cruzam, mas seguem em boa parte paralelas com acontecimentos e pessoas deferentes à sua volta. Num misto de crueza, meiguice, amor, encontros e despedidas a trama segue, trazendo um final inesperado. Com 410 páginas, o livro é gostoso de ler, com passagens que nos fazem refletir sobre o passar dos anos, as oportunidades e escolhas que fizemos ou poderíamos ter feito, nos faz rir e, sendo sensível, ficar com um nó na garganta. Mas acima de tudo é uma história linda e comovente.

Adalto Paceli

professorpaceli.blogspot.com


segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Carta aberta

Ribeirão Preto, 28 de dezembro de 2015

Governador Geraldo Alckmin,

Esperamos que esta o encontre bem junto aos seus e com disposição para a conclusão de seu mandato.
Escrevemos-lhe com a intenção principal de expormos nossa opinião sobre sua recente resolução, ora suspensa, de "reorganizar" a educação pública em nosso estado de São Paulo.
Concordamos, a priori, que é interessante a separação por etapas de ensino, ou seja, 1º ao 5º ano, 6º ao 9º do Ensino Fundamental e 1º ao 3º do Ensino Médio, pois como professores sentimos as dificuldades pertinentes, a exemplo: a insegurança e dificuldade de locomoção na entrada, nos intervalos entre aulas, no recreio e na saída para os menores; barulho externo excessivo durante as aulas, particularmente, nas escolas em que o recreio é em horário diferenciado e separado para os menores.
Sabemos também que o número de estudantes, devido à queda da taxa de natalidade, diminuiu, mas temos também que considerar o grande contingente de alunos da escola particular que tem migrado para a escola pública, por diversos motivos.
Esses fatores merecem uma reformulação, mas não poderiam jamais servir como justificativa para o fechamento de escolas.
Aqui colocamos nossa sugestão, Prezado Governador, em vez de usar a separação dos alunos por faixa etária e queda da taxa de natalidade como pano de fundo para enxugar gastos fechando escolas, porque não aproveitar esse propício momento para a real implantação das escolas de tempo integral e diminuição da quantidade de alunos por sala?
Quanto à escola de período integral, sabemos que há alguns ensaios ou projetos pilotos, porém pensamos essa escola para todo o estado, indistintamente.
No tocante à quantidade de alunos por sala, Sr. Governador, esse aspecto é fundamental para uma escola de qualidade, pois aula não é palestra/aula de cursinhos vestibulares e sim um tete a tete, um debruçar-se sobre o aluno, acompanhar seu progresso, como está escrevendo ou lendo e interpretando e isso é impensável, com a qualidade que merece, numa sala com alunos em excesso.
Nossa sugestão: 1º ao 5º com 15 anos, 6º ao 9º e Ensino Médio com 20 alunos, no máximo. Aqueles que defendem que a quantidade de alunos em sala não interfere no ensino-aprendizagem, com todo respeito, estão equivocados.
Enfim, prezado Governador Geraldo Alckmin, se é para reorganizar, façamos algo digno desse nome, não fechando escolas mas, se necessário, abrindo outras, implantando o período integral, reduzindo a quantidade de alunos por sala e contratando mais professores para essa verdadeira reorganização.
Atenciosamente,

Professor Adalto Paceli de Oliveira


domingo, 20 de dezembro de 2015

Friedrich Nietzsche e Genealogia da Moral

     
          Caso alguém conheça um pouco desse escritor, não traremos novidades, alinhavamos a partir de nossa leitura do livro e parcas pesquisas apenas algumas impressões que conseguimos apreender. 
           Isso posto, conversemos, Nietzsche (1844-1900), em seu livro Genealogia da moral, intenta clarear o conceito de moral, o que é ser moralizado. Quais as diferenças entre bom x mal e bom x ruim. A questão do "pecado" associado à culpa. A influência da religiosidade no conceito de moral.    
              Friedrich faz um comentário na primeira das três dissertações dessa obra sobre  a dificuldade do animal aquático que transportando-se evolutivamente para  a terra, sentiu enorme dificuldade de adaptação e teve  a partir daí, que suportar o peso do próprio corpo e, concomitantemente, defender-se de predadores, alimentar-se e procurar abrigo. 
           Evolucionista, daí a necessidade de os criacionistas terem estrutura intelectual e psicológica para abrirem  parênteses  e continuarem lendo esse autor, acrescenta que tudo isso fez com que o homem, nesse processo, se voltasse para si. Daí nossa racionalização e com ela, segundo esse filósofo, um constante e crescente sentimento de culpa que foi sendo recalcado.
        Esse estoque de rápidas adaptações, acontecimentos, situações repentinas não ficou bem resolvido dentro do homem. A isso deu-se o nome de culpa e que a religião batizou como pecado, e o cristianismo como pecado original.
       Outro tema abordado: O ideal ascético, colocar toda essa vida em prol de uma futura, inexistente para o escritor que atribui aos sacerdotes a pecha de manipuladores, execrados por Nietzsche.
         Obviamente Genealogia da moral é muito mais do que nosso brevíssimo comentário. Caso consulte o Google encontrará trabalhos de nível superior sobre a obra e o autor. No Youtube há aulas, assistimos à do Professor Marcelo da Luz, da qual gostamos, pois é bem humorado, transmite seus conhecimentos com leveza, sem pressa e permite a participação dos alunos durante a palestra. No entanto, das aulas de Leonardo - escola de filosofia - embora tragam informações importantes, identificamos muita incoerência e soberba por parte do palestrante, assista e tire suas próprias conclusões. 
           Enfim, informações complementares são interessantes. mas consideramos que é mais eficaz e eficiente irmos primeiro à obra.
            Um abraço,

                                                                                                                                            Adalto Paceli 
     

domingo, 13 de dezembro de 2015

Carta

Ribeirão Preto, 13 de dezembro de 2015

Prezado(a) leitor (a),

    Como vai? Esperamos que você e os seus estejam bem. Nós vamos enfrentando a vida e seus desafios na esperança de melhores dias.
      É estranho receber uma carta de alguém desconhecido ou pouco familiar, não é? Mas deixemos a primeira impressão passar, para tanto continuemos a nos falar somente no próximo parágrafo...

    Gostaríamos de conversar com você sobre um assunto que não tem unanimidade e que talvez à primeira vista possa deixá-lo desconfortável, mas saiba que nosso intuito não é desrespeitar sua opinião, mas o de apenas apresentar a nossa ótica.
   Queremos falar-lhe sobre a Dilma, sim, a nossa Presidente, prefiro essa grafia a presidenta, coisa pessoal apenas. Sabemos que muitos questionam seu início político como guerrilheira e tentam compará-la aos torturadores da Ditadura, mas nem ela nem seu grupo tomou o país de assalto como fizeram os militares.
     Deixemos essa circunstância e sigamos, atuou profissionalmente num governo estadual, foi ministra de importantes pastas do governo Lula. Foi eleita para o primeiro mandato com boa margem de votos e reeleita com pequena margem, mas eleita e entrou pela porta da frente.
    "Disso já sei", você me diria. Sim, é apenas para entabularmos uma conversação sobre alguma base. Então, agora seria sua vez, "E a roubalheira, a corrupção?" Nisso damos a mão à palmatória, mas antes de recebermos a primeira pancada, conceda-nos uma observação. Pode ser?
     Gratos, já percebemos que gosta do diálogo. Será possível que apenas a partir do governo Lula tivemos roubo e corrupção? Que tal pensarmos que em outros governos também houve, mas não foi difundido como agora? Não seria ingenuidade acreditar que antes o país não ia bem, aliás hoje está muito melhor, mas que a corrupção era menor? 
      Não nos deixe falando sozinhos, já vamos encerrar esta simples missiva. Pois bem, Dilma entrou pela porta da frente, caso nosso Legislativo Federal e nossa Justiça acolham seu impedimento, que também é dispositivo constitucional, é de bom tom, civilizado e democrático que acatemos seu veredicto, que esperamos ser justo.
     Estamos de volta ao regime democrático há mais ou menos 30 anos, nesse curto espaço de tempo já tivemos um impedimento, não há impeditivo legal para que haja outro, no entanto não é recomendável que se deponha presidentes com essa frequência, para que isso ocorra deve-se observar todas as regras institucionais, pois corre-se o risco de hábito, o que não fortalece a democracia de nenhum país do mundo.
   Enfim, paciente leitor(a), não pesa contra nossa presidente nenhum ato desonesto, enriquecimento ilícito ou desobediência constitucional. Ah, as pedaladas, íamos nos esquecendo, queira nos desculpar. Houve ilícito, mas não é exclusividade de seu governo, nas três instâncias executivas já se constatou esse procedimento e nenhum prefeito, governador ou presidente foi cassado por isso.             Aperfeiçoemos nossas instituições, punamos todos os culpados, doa a quem doer, mas não queiramos depor a presidente a qualquer custo, isso além de ser uma atitude maniqueísta, querer um bode expiatório, revela falta de memória dos anos de chumbo e falta de cidadania.
     Caso concorde com nosso raciocínio integral ou parcialmente, ótimo. Caso não concorde, ótimo também. É no contraditório que construímos consenso.
       Um forte abraço, com votos de saúde, felicidade e paz,

Adalto Paceli.


sábado, 28 de novembro de 2015

Em mau estado

     Certamente observamos que nos últimos anos houve um sensível despertar para os direitos dos animais. Abusos são cometidos, mas já não aceitamos isso como em outros tempos de maior crueza nas relações animais e humanos. Quase todos se sensibilizam com um animalzinho abandonado ou sofrendo maus tratos. É justo que seja assim, pois nenhum ser vivo deve passar fome, frio e sofrer as intempéries da natureza.
         Os animais ditos irracionais diferem do homem, pois não têm o livre arbítrio. Mas será que esse mesmo livre arbítrio em vez de ser um avanço, um sinal de superioridade pode condenar o homem a não ter os direitos básicos que acima defendi para os animais? É justo que um semelhante por pensar diferente, não ter um emprego, ser um dependente de algum vício, não ter tido as mesmas possibilidades que teve alguém que nasceu em berço de ouro, não ter se escolarizado, ou outros aspectos que o deixam na periferia da sociedade, não tenha aqueles direitos básicos a que me referi e que aqui repito: comida, água, teto e proteção?
          Sim, ouço críticas a programas sociais, como o bolsa-família, o auxílio-gás, o seguro desemprego, entre outros. Dizem que não é justo, que favorece a um "bando" de vagabundos e que o governo faz mal em dar apoio a essas pessoas. De quem vem essas críticas? De alguns que há bem pouco tempo levavam uma vida regrada e que agora, por terem conseguido alguma ascensão, se julgam melhores e adotam uma postura de ser superior. De outros, acostumados ao mando e não toleram que o miserável tenha o mínimo necessário para viver, sem terem que estar subjugados a eles e aos que comungam dessa tacanha mentalidade.
      Esse é um aspecto que revela quem está na vanguarda do humanismo, da solidariedade e que quer construir uma sociedade menos desigual daquele que insiste no status quo, no individualismo, em ter propriedades e enriquecer às custas da miséria dos seus semelhantes, que se diz íntegro e critica o governo, mas no seu dia a dia sonega imposto não emitindo nota fiscal, não registra seus funcionários e não paga o justo salário.
        Portanto, não adianta cristianismo, títulos acadêmicos, casa em Miame, saber cantar o Hino Nacional, bom gosto para arte... se não enxergamos o nosso semelhante que precisa de alimento, água, moradia, transporte, vestimenta e saúde, pois esse marginalizado é nosso companheiro de jornada, queiramos ou não, que vive, sofre e é mortal como nós também o somos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Divã

Aquele que tiver ouvidos, ouça!
Mas ouve com paciência,
sem interrupção.
Seja menos Faustão.
Pois as pessoas querem falar,
a solidão anda à solta.

Ainda que pareça louca,
meio sem coerência
e com muita confusão,
abra seu coração.
Deixe sua história contar,
ouça sem abrir a boca.


Uns falam muito com palavras poucas
Outros não têm essa ciência,
pra dizer logo sua intenção.
demonstre consideração,
muitos só querem desabafar,
por pra fora seu sufoco.

E pra terminar essa poesia solta,
com ares de grande eloquência,
digo que o outro é seu irmão,
perdido na multidão
precisando se apoiar
em alguém que apenas o ouça!

                                                                Adalto Paceli








sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Inconsciência Negra


     Causou estranheza uma associação comercial de determinada cidade da grande Ribeirão Preto ter entrado na justiça e conseguido liminar suspendendo o feriado de hoje. 
     Nunca ouvimos falar que tenham tentado cancelar o feriado de Corpus Christi, de Nossa Senhora Aparecida e outros feriados ditos santos, embora nossa constituição seja laica.
E o feriado de 9 de julho, da Revolução Constitucionalista? Saia perguntando que feriado é esse e esteja pronto para as mais disparatadas respostas. 
     Esse pequeno texto não tem como primeira intenção criticar feriados, mas porque cancelar justamente o feriado de 20 de novembro? Será que os mais de 3 séculos de escravidão, a discriminação racial hipócrita no Brasil, a diferença salarial entre negros e brancos que desempenham a mesma função, a violência contra o negro das periferias não merecem um dia de reflexão?
     Tenho uma suspeita, o negro brasileiro não tem a mesma capacidade de reação da Igreja,do Estado e das grandes potências comerciais e midiáticas. Vi uma frase atribuída ao ator Morgan Freeman que questiona os dias dedicados às minorias, mas ele é um afrodescendente rico e famoso, será que é tão simples assim? 
     Enfim, faz-se necessário refletir nesse 20 de novembro e entender que o negro é nosso companheiro de caminhada, dotado dos mesmos direitos e deveres constitucionais e que é nossa obrigação combater qualquer tipo de racismo, principalmente aqueles que vêm em forma de brincadeiras à primeira vista ingênuas, mas que escondem o preconceito. O negro sofreu e sofre na pele, não é somente ele que tem de gritar contra as injustiças das quais é vítima, além de passar pelo sofrimento ainda tem que lutar sozinho? Não, não está correto! Todos devemos combater esse câncer social chamado preconceito racial.


                                                                                                                                Adalto Paceli

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Penso, logo insisto

     Você é como eu? Quando lê, assiste ou curte algo muito interessante fica com muita vontade de compartilhar com alguém? Pois é, sou assim. Pelo título já deu pra perceber que o papo é filosofia...
Espere aí, não me deixe sozinho nesse texto, vamos conversar. 
Dessa vez quero dividir com você minhas últimas leituras, é que falaram muito de dois escritores, Clóvis de Barros Filho e Júlio Pompeu, disseram que fazem ótimas palestras ou pra ser mais chique "seminários" e deram entrevistas na tevê.
     Pois bem, li "A filosofia explica grandes questões da humanidade", e não é que pelo jeito que eles escrevem explica mesmo! Nós, certamente, já lemos sobre muitos filósofos, daqueles antigos gregos, Platão, Aristóteles e Sócrates; depois, uma série deles: Rosseau, Pestalozzi, Schopenhauer, Nietzche, dentre outros. Como não sou um estudioso e apenas curioso, muitas vezes não consigo entender muito bem o que esses caras estão querendo dizer, mas com esse livro algo diferente se deu.
     A obra é composta por oito capítulos, os quatro primeiros mais a introdução escritos pelo Clóvis e os quatro restantes pelo Júlio, percebeu a intimidade? Logo no início, o assunto é ética e moral, segundo o autor e no que concordo, às vezes uma se confunde com a outra, mas para elucidar, ele explica com um exemplo, a ética é nossa boa atitude diária e moral são as decisões pontuais que precisamos tomar, mais marcantes, por exemplo, um colega de trabalho está lesando a empresa e decido denunciá-lo, isso seria um ato moral. Conversando com meu amigo Fernando, ele acrescentou outra diferenciação, moral pode mudar e está ligada aos costumes; já a ética não muda, independente do lugar e da época, por exemplo, roubar, é e sempre foi um ato errado em todos os lugares.
     Para aprofundar um pouco mais sobre ética, li da coleção primeiros passos, o livro O que é ética, de Álvaro L. M. Valls e foi esclarecedor. 
     Sabe, essas questões sobre a vida que num momento ou noutro vêm à nossa mente? De onde vim? O que estou fazendo aqui? Para onde vou? O que é justiça? O que é virtude? A Filosofia nos auxilia a compreendê-las melhor, só que é necessário ir aos textos, esse lance de ficarmos colecionando pensamentos, lendo superficialmente na internet um punhado de informações, as tais janelas que vamos abrindo e quando damos por nós, nossa casa está cheia é de pernilongos, são válidos, é claro. Mas nada substitui a leitura do livro, mastigando as palavras, voltando à página anterior quando não entendemos, isso é ler com autonomia.
     Para encerrar vou lhe confessar que já tentei ser chique lendo Nietzsche, lia, lia e não entendia seus escritos, cheguei a ganhar alguns livros desse autor. Mas ao terminar a leitura de " A filosofia explica grandes questões da humanidade, o autor indicou o livro Genealogia da moral, se você adivinhar quem escreveu esse livro eu lhe dou um doce... é o próprio, Nietzche e ao dar uma olhadinha no tal livro, é dos que ganhei de presente... o autor diz assim: "Se esse livro resultar incompreensível para alguém, ou dissonante aos seus ouvidos, a culpa, quero crer, não será necessariamente minha..." e conclui " É certo que, a praticar desse modo a leitura como arte, faz-se preciso algo que precisamente em nossos dias está bem esquecido - e que exigirá tempo, até que minhas obras sejam 'legíveis' -, para o qual é imprescindível ser quase uma vaca, e não um 'homem moderno': o ruminar..."
     Bom, se o próprio Nietzche se considera difícil de ler, até que eu não estou tão mal assim. Começo hoje a lê-lo, sou corajoso!

Adalto Paceli

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Sem resposta


Pergunta quem sou e respondo o que fiz.
Fosses o Pequeno Príncipe,
olhar-me-ias com espanto
por ti mesmo, lerias:
É um frustrado mineiro por não ter em Minas nascido!
Mostra que envelhece 
pois  usa mesóclise quando escreve.

Não me criticarias, no entanto,
Fosse o Pequeno Príncipe,
olharias pra mim com enternecimento
e sentirias um amor desinteressado,
por apenas ter me conhecido!
Reconhecerias na criança que guardas
que tua pergunta é difícil de  responder.

Quem sou? Soma de quem fui, do que sou?
Poderia acrescentar o que serei?
Melhor não, ficaria mais complicado ainda.
Olha, vamos combinar algo mais fácil?
Pede que te desenhe um carneiro,
pode ser?

Caso estejas voltando à Terra,
no Brasil, pergunta-me sobre
a crise, a alta do combustível.
Sei que nunca desistirias de uma pergunta,
caso fosses o principezinho...
Abre uma exceção,
esquece esse lance de identidade,
ao menos por consideração à minha idade.


Adalto Paceli



terça-feira, 27 de outubro de 2015

Arte e ciência de roubar galinha


Não, não se trata de nenhuma dica de como afanar galinhas para uma boa festinha com os amigos. Você, com certeza, já ouviu falar do escritor baiano João Ubaldo Ribeiro. Porém, ele ficou conhecido pelo livro Viva o povo brasileiro!. Um dia desses, estando com os alunos na biblioteca da escola, interessei-me pelo título de um livro que um aluno estava devolvendo e resolvi pegá-lo para dar uma olhada. Resultado: peguei a obra emprestada.
Trata-se de um livro de crônicas muito divertido, um causo melhor que o outro. João Ubaldo morava em Itaparica (BA), embora viajasse constantemente, tendo residência ali, tinha um bom relacionamento com os moradores do lugar e daí surgiram as histórias de pescador, animais domésticos, relacionamentos, religiosidade, família, dentre outros.
Com um humor cativante, esse escritor baiano vai nos apresentando sua pequena cidade e seu cotidiano, é claro, com os enfeites e pequenos exageros que só um cronista desse quilate pode acrescentar. 
Numa dessas crônicas, que me fez rir muito, ele nos conta sobre uma jovem viúva que tinha ataques nervosos, não conseguia dormir e que foi submetida a um tratamento pelo padre do lugar, agora, o resultado desse tal tratamento ... só lendo pra você saber.
Outro causo engraçado é sobre um tal peixe venenoso que alguns pescadores insistiam em saborear, mesmo sabendo dos riscos... Muitas vezes não é a história em si, mas sim a maneira como a crônica foi contada. 
Lembrei-me dos mineiros de minha terra, quando dizem "É a Maria do Osvaldo", lá na Bahia, em Itaparica também é assim, só que em vez de " Maria do Osvaldo" dizem "Maria de Osvaldo".
Amigos, é uma leitura muito gostosa e flui tanto que a gente nem sente o tempo passar. Então aí vai mais uma dica: Arte e ciência de roubar galinha, de João Ubaldo Ribeiro.

Adalto Paceli